terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mais para desqualificação

Sobrevivendo à qualificação, concluo que se tratou mais de uma desqualificação. Pouco foi concluído e pouco foi acertado sobre o rumo do trabalho. Começarei a falar sobre o meu trabalho nesse espaço. Praticamente terei que refazê-lo. Textos relacionados ao trabalho serão os postados nesse blog. No final das contas abandono temporariamente a psicanálise, e vou para o referencial ao qual talvez esteja mais acostumado. A pesquisa faz parte do projeto "Migração e Cultura" e tem como tema "migração", a partir das questões trazidas pela Casa do Migrante de São Paulo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009



TERRA MÁTRIA

Minha pátria está morta
eles a sepultaram
no fogo
Vivo em minha mátria
a palavra

poema de Rose Auslander

terça-feira, 14 de abril de 2009

Temporariamente fora do ar

Passei por esse espaço hoje para escrever sobre minha dificuldade em manter o blog junto com a escrita da dissertação. Espero voltar a escrever aqui assim que terminar meu trabalho. Não só voltar a escrever, mas aumentar o número e a qualidade dos textos publicados nesse espaço. Enquanto isso, vou escrevendo o trabalho “científico” que conquistará tantos leitores diante da quantidade enorme de acadêmicos e pessoas que escolhem a academia para se dedicar depois de terminar a graduação. É, realmente quem está nesse mundo da academia na pós-graduação sabe bem o quanto ele não faz parte da “realidade nacional”. Em breve, espero voltar com mais textos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O fato de vir escrever hoje no blog tem um significado importante: vim pedir para que leiam a revista Bravo! de fevereiro. O motivo é simples: escrevi para a seção de críticas das artes plásticas e, como se trata de minha primeira aventura em uma revista de cultura, espero que a publicação do meu texto traga sorte à revista. Abordo uma exposição dos quadros de um artista brasileiro, Guignard, que conhecia pouco até fazer a pauta. Dentre os assuntos que trato no texto, procuro desmistificar a idéia de que sua obra seja ingênua e facilmente classificada de modernista e, que, pelo contrário, possui uma complexidade até então pouco tratada.
Agora que começo a escrever sobre cultura em geral, colaboro também com uma revista online chamada Paradoxo.
Até a próxima, espero que com mais textos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Bom, passei pelo blog só para atualizar, pois não estou muito a fim de escrever textos hoje. De qualquer maneira, só pra comentar alguma coisa, li um artigo na Folha de domingo falando sobre uma entrevista recente do presidente Lula. O artigo faz uma crítica precisa e pertinente, relativa a uma entrevista concedida pelo nosso estimado presidente, se não me engano, à revista Piauí. O motivo do texto era o fato do presidente se declarar avesso ao ato de ler ou, pelo menos, nem citar a atividade entre seus passatempos. Que exemplo estaria dando o chefe de uma nação que não fala sobre ler e nem cita livros? É, pergunta pertinente. Teria ele orgulho de sua precária formação cultural? Eu acho que em um país em que cultura é artigo de luxo e leitura definitivamente causa aversão em boa parte da população, o mínimo que um presidente deveria fazer era incentivar, através de sua figura, o ato de ler. Nesse argumento, concordo plenamente com o artigo. E mais do que isso, acredito que a precária situação do Brasil se deva muito ao baixo investimento em cultura. Muitas vezes se tem uma idéia errada de cultura, como se ela estivesse separada da realidade. Vou parar por aqui agora, pois para quem só ia passar para deixar uma frase ou duas, já escrevi demais.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Novamente estava à beira da praia, lugar em que passou boa parte de sua vida. Tudo, ao mesmo tempo em que lhe parecia familiar, causava-lhe estranheza. O mar estava mais calmo, a areia menos quente, o vento mais brando. Não entendia muito bem o porquê as coisas que lhe pareciam tão naturais antes, agora reparava muito mais detalhadamente. As ondas que tanto o incomodavam e que quase foram motivo de afogamento de muitos conhecidos seus, pela sua intensidade e perigo, agora estavam calmas, e eram comparadas a uma lagoa. A bandeira, que estava sempre presente avisando do perigo das marés, nem lá estava. As pedras, que costeavam as trilhas, programa que costumava encarar como uma grande aventura, pareciam menores e sem nenhum risco. Lembrava-se perfeitamente de quando reunia os parentes para ir pelas pedras e chegar nas trilhas, tarefa feita com todo cuidado em razão da dificuldade, e a impressão era de que qualquer descuido seria fatal. No mesmo caminho que fazia, não reconhecia tal perigo nem de longe. Olhando ao redor da praia, relembrou que, perto das dunas, costumava a participar de batalhas memoráveis nos jogos freqüentes de futebol. Esporte que, aos poucos, foi largando, mas que era o seu preferido. Velhos tempos em que vestia a camisa 10 e marcava um gol por jogo. Essas memórias causaram certo mal-estar. Nem parecia a mesma praia. Nem o quiosque do Seu Zé, lugar em seus pais costumavam freqüentar durante o fim da tarde para tomar uma cerveja, estava lá. Deixou a praia crente de que o lugar, realmente, não era o mesmo.

sábado, 6 de dezembro de 2008


Sorria, você está sob observação

Eram, que eu me lembre, mais ou menos 13 horas quando cheguei na emergência do hospital das Clínicas aqui em São Paulo. Sofria de dor no estômago e no abdômen, que, já passado algum tempo, começava a me preocupar. Entretanto não tinha nada de anormal fora isso, o que me deixou mais calmo com relação ao que eu pudesse ter. A chegada no hospital, entretanto, acabou com qualquer tranqüilidade. Imagino que qualquer cidadão que chegue saudável, ao adentrar e passar pelo que passei, vá parar na emergência ou, ao menos, em um hospital psiquiátrico. Pois bem. Logo na entrada, sou barrado com a pergunta: “você é da região”. Era o guarda da guarita. Imaginei se viesse um caso urgente e que não fosse da região, o que fariam. Bom, passando por isso, fui para o fichamento, no qual apresentei a carteira do meu plano de saúde. “Ah, agora sim vou ser atendido”, pensei. Com a plena sensação de que pertencia ao clube, fui esperar na “sala de espera”, como a mulher da recepção tinha me mandado fazer, depois de eu ter dito rapidamente qual era o problema. A dita “sala de espera” era o seguinte: um cubículo, com cerca de 30 lugares em que ficava uma enfermeira circulando de lá para cá, enquanto meia dúzia de senhoras, e “casos de emergência”, ficavam olhando e esperando sua vez. Fui logo falar com a enfermeira. “Vai demorar”, perguntei, interrompendo seu trajeto. “Não, já vão te chamar”, respondeu ela continuando seu caminho. Fui sentar para esperar a minha vez, quando vi a médica chamando o próximo. Chamou mais um. Chamou outro. Quando foi chamada uma senhora, que chegou logo depois de mim, e que balbuciava como se estivesse rezando, decidi que ia reclamar. Antes de me levantar para realizar meu intento, chegou a minha vez.
Caminhando até a porta da sala, dou de frente com a seguinte figura, certamente vinda direto daqueles filmes do James Bond, em que os personagens da Coréia do Norte eram os vilões: uma japonesa de avental branco, que, literalmente, não mexia um músculo da face. Sua sisudez e frieza se comparavam com a dos torturadores na época da ditadura militar. Perto dela, Mao Tsé Tung não era nada. Sem pestanejar, começou o inquérito, olhando sempre para uma folha na qual rabiscava algumas coisas.
“Tem AIDS?”
“Tem DST?”
“Usou drogas?”
“Você usa drogas?”
“Já usou drogas?”
Realmente, para uma dor abdominal, essas perguntas pareciam exageradas. Vinda daquela figura robótica e inexpressiva, pior ainda. Se já estava ficando bom, depois dessa tortura psicológica, qualquer doença grave era fichinha. Anotou sei lá o que e me mandou fazer exame de sangue. Na verdade, não entendi muito bem por qual motivo. Mandou aguardar mais uma vez na "sala de espera". Após mais um chá de cadeira, fui chamado para fazer o tal exame de sangue. A enfermeira falou que o médico do convênio ainda não tinha chego, e mais uma vez constatei que fazer parte do clube era a pior coisa. Voltei a aguardar para ser atendido mais uma vez, na "sala de espera". Desta vez sim, esperei. De vez em quando ia perguntar se o médico tinha chego, sempre com uma resposta negativa. E o pior, tinham me mandado fazer raio-x. Para que, não sei.
Feitos os exames de raio-X e de sangue, voltei crente que dessa vez iria ser atendido. Retornei a "sala de espera". Esperei uma, duas, três horas. Finalmente vieram me atender. Mal falei qual o problema, o médico falou meia dúzia de palavras e a seguinte frase: “você vai ter que ficar sob observação”. Mais uma vez voltei para a “sala de espera”. Aquela frase do médico realmente me deixara crente de que na sala tinham câmeras escondidas que observavam os pacientes. Novamente uma longa espera. Fui atendido por uma médica, que, depois de olhar minha aparecia e sabendo o tempo que eu estava esperando, foi enfática: “você não tem nada, só um mal estar”. Respirei e sai pela porta nem um pouco satisfeito. Eram quase 19 horas da tarde. Na saída, imaginei que deveriam colocar uma placa na “sala de espera” com os dizeres: “sorria, você está sob observação”.